quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Desarmando a lógica

A seguir está meu comentário sobre o artigo do sr. Carlos Orsi da revista Galileu intitulado "A ciência por trás do debate sobre o desarmamento civil" que foi referenciado no Blog Cético.

Réplica de um Colt Paterson, primeiro revólver produzido em escala comercial, de 1836. (Foto: wikimedia commons)


A profundidade argumentativa do sr. Carlos Orsi tem a mesma dimensão de uma novela da TV Globo, onde o paraplégico Tony Ramos é vitimado por uma arma, como se o objeto inanimado tivesse o poder de ter puxado o próprio gatilho. Quem quiser obter melhores estatísticas sobre o assunto, consulte o livro que li há cerca de 10 anos atrás: "The Bias Against Guns", escrito por John Lott Jr.

Estatísticas a parte, a conseqüência lógica do desarmamento civil é que o bandido armado vai conseguir seu instrumento de trabalho de qualquer maneira. No entanto, o cidadão de bem fica impedido da possibilidade de defender-se, pois, por definição, o primeiro comete uma ilegalidade, mas o segundo não. Suponhamos que um integrante do PCC tivesse conhecido uma cidadezinha no interior do Mississippi ou do Kentucky e lhe fosse perguntado: "Onde você preferiria cometer um assalto a mão armada: numa mansão no Morumbi ou numa casa bacana de um caipira 'ignorante e retrógrado' do interior daqueles estados?" A probabilidade de ser surpreendido com um contra-ataque tão ou mais feroz no primeiro caso é infinitamente menor do que no segundo. O crime é um negócio como qualquer outro; é preciso contrapor riscos e benefícios.

Ademais, em 2012, praticamente no mesmo dia em que o desequilibrado Adam Lanza executou a tiros 20 crianças e 6 adultos na escola americana Sandy Hook, Min Yongjun esfaqueou 23 crianças e uma mulher idosa na província chinesa de Henan. Pergunto: depois de proibir a compra de revólveres, deveríamos também proibir peixeiras, tacos de beisebol ou gasolina e fósforos? Aliás, amantes da paz, como Mao e Stalin, sempre foram veementemente a favor do desarmamento da população. É muito mais fácil atacar e dominar quem basicamente não tem como se defender.