quarta-feira, 13 de abril de 2011

Bom humor total

O Montagna ficou de mau humor neste carnaval...E eu também! Mas carnaval é alegria, a festa da carne! Sei que esta porcaria de festa começou recentemente em fevereiro e seguirá até pouco antes do Natal. Por isso, como sugeriu o grande Olavo de Carvalho, peço que se divirtam com o samba-enredo do  ' Grêmio Recreativo da Casa do Cara...'

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Patenteando a Amazônia

Excelente o artigo do Montagna sobre patentes. Mas, se você é um daqueles que concorda que as patentes são uma maldição e que fármacos deveriam ser de domínio público, pois salvam vidas, então experimente trabalhar de graça.

O que é uma patente? Veja a definição do 35 U.S.C. § 101 do Patent Act de 1793: "Whoever invents or discovers any new and useful process, machine, manufacture, or composition of matter, or any new and useful improvement thereof, may obtain a patent therefor, subject to the conditions and requirements of this title. Tradução precária: "Quem quer que invente ou descubra qualquer processo, máquina, processo industrial ou composição material, ou qualquer aperfeiçoamento novo e útil dos mesmos, poderá, portanto, obter uma patente, sujeita às condições e requerimentos desta lei". Então, uma patente tem que ser algo novo e útil.

John Craig Venter, no seu projeto 'genoma humano' tentou, mas não conseguiu, patentear genes. Sem dúvida, seu projeto é algo novo, mas onde está a utilidade? A utilidade poderia surgir a partir do momento que seu grupo descobrisse como diagnosticar e curar uma doença genética.
 
Muitas pessoas no Brasil acreditam que o gringo chega na floresta Amazônica, rouba umas plantinhas, e logo depois se torna milionário, patenteando algo que pertence ao patrimônio nacional. Não é bem assim.  Uma pessoa versada em farmacognosia poderia facilmente descobrir uma molécula nova proveniente de uma planta da floresta Amazônica. No entanto, seria necessário gastar centenas de milhões de dólares para que seja possível provar que tal descoberta é útil para a cura de uma doença. Isto inclui fazer testes in vitro, testes em animais, e, se tudo der certo, fazer ensaios clínicos. Enfim, não importa se um brasileiro ou um estrangeiro descobriu uma molécula produzida por uma planta ou animal na Amazônia. Para se conceder a patente à alguém, é necessário provar que a descoberta seja nova e útil.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Doutores

O título de doutor no Brasil parece dar um ar de divindade reverencial ao portador, habilitando-o a opinar sobre qualquer assunto. A cobiça é tanta, que gente que não tem o título, julga tê-lo; outros omitem que não têm ou até mesmo mentem que têm. Para mim é simples: doutor é aquele que fez doutorado. No Brasil, advogado é doutor, mesmo após ter cursado a graduação por quatro ou cinco anos e ter sido aprovado pela OAB. Médico também é doutor, pois basta terminar o ensino médio e  mais seis anos de estudos para ganhar o cobiçado título. Até mesmo farmacêutico é doutor; pelo menos é isto que está escrito na carteirinha do Conselho Regional de Farmácia. Uma comparação rápida: nos EUA, só se entra numa escola de medicina ou direito depois de ter cursado outras matérias na graduação (como química, biologia, história etc) por pelo menos quatro anos. Para ser farmacêutico, algumas escolas de farmácia exigem pelo menos dois anos de graduação para que o aluno possa ser aceito.

De fato, tem cidadão que confunde a situação de doutorando com o título de doutor. Veja, por exemplo, o caso da presidenta: por pelo menos duas vezes, a Sra. Dilma Rousseff em entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, é introduzida como "economista com doutorado em teoria econômica". Mais tarde, em 2009, quando foi descoberto que ela nunca havia defendido a tese, ela diz "por que eu não defendi a tese? [...] por que eu estava trabalhando". Ora, porque então a senhora não falou que não tinha o título de doutorado cinco anos antes, no programa Roda Viva?

É claro que omitir não é tão grave quanto mentir. Em 2006, Aloízio Mercadante diz durante debate com candidatos ao governo  de São Paulo: "Me formei na Universidade de São Paulo, fiz meu mestrado e doutorado na Unicamp". O curioso é que o recém doutor, Aloízio Mercadante, defendeu sua tese dia 18 de dezembro de 2010! É o exemplo clássico 'doutorando doutor'. Pasmem, o Dr. Aloízio Mercadante defendeu sua tese duas semanas antes de assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia, aquele mesmo que cuida das bolsas de doutorado e das verbas de pesquisa!

Gostaria de dar só mais um breve exemplo. Na verdade, o Sr. Drauzio Varella mereceria não um só, mas vários artigos ou até um livro, tamanha é a afetação de superioridade que este graduado em medicina e estrela da mídia possui. Em entrevista no Programa do Jô, por volta da época que a lei de repressão ao tabaco foi aprovada, ele diz "a nicotina vicia mais que a heroína, que a cocaína que a maconha, que qualquer outra droga". Para comprovar, o médico, que jamais publicou um só artigo em revista científica, declara que estudos demonstram que ratos de laboratório preferem apertar o botão que fornece nicotina ao invés de apertar o que fornece comida. Ele só esqueceu de verificar que o mesmo é vedade para outras drogas, como cocaína e heroína. Depois ele afirma que durante seu trabalho em presídios, os viciados em cocaína, crack ou maconha largam estas drogas, mas não largam o cigarro. Segundo este senhor, o tabaco é a droga mais perigosa do mundo! Só esqueceram de avisá-lo que o tabaco ainda não é ilegal, mas as outras drogas sim. Além disso, nunca vi ninguém ficar 'chapado' por que fumou um cigarro. Nunca vi ninguém sofrer um acidente de carro, morrer de overdose ou assaltar por ter queimado um punhado de folhas de Nicotiana tabacum. Contudo, o Sr. Drauzio Varella não quer que você aceite os fatos, pela simples razão que o que ele diz é a própria verdade. Afinal, ele é 'doutor'.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Será que é por isso que é mais barato?

Outro dia estava conversando com o meu amigo Fugita, e disse para ele que a energia elétrica aqui no Mississippi custa uns 17 centavos de real por kWh, enquanto que no Brasil é de cerca de R$0,45/kWh (Celpe). Uso energia elétrica para tudo, aquecer ou esfriar a casa, aquecer a água nas torneiras, deixar meu computador desktop ligado e até para cozinhar. A conta no final do mês é de menos de 80 dólares, ou uns 130 reais. No Brasil, este valor seria gasto apenas para uma família tomar banho todos os dias e manter um geladeira na tomada.

Hoje ele me mandou um email intitulado "É por isso que é barato...", apontando um gráfico que afirma que a energia nos EUA é subsidiada, por isso, segundo ele, ela é mais barata. Eu respondi:

Fugita,

Interessante! Usando os dados providos pelo senhor (que na verdade veio da Environmental Law Institute, uma das milhares ONGs que acreditam em duendes ou no aquecimento global causado pelo homem), é possível verificar que:

- O "subsídio" dado a energia renovável é de 31,3 bilhões. A pergunta é como é que energia renovável em geral pode ser mais barata do que a energia fóssil? Cata-vento além de não ser confiável (é necessário ventar), é muito mais caro do que queimar carvão. Etanol de milho é a grande palhaçada (agora todas as bombas de gasolina aqui têm até 10%), pois é só ir ao supermercado e ver como a comida ficou mais cara depois que o governo decidiu queimá-la nos automóveis.

- "Tax breaks" não é subsídio, mas apenas deixar de cobrar imposto. Dos 70.2 bilhões de "subsídio" dados aos combustíveis fósseis, apenas 16,3 bilhões são realmente subsídio. Isto é apenas 0,1% do PIB dos EUA. Além disso, o gasto energético por habitante é de aproximadamente US$4000 (http://www.eia.doe.gov/emeu/aer/pdf/aer.pdf, página 12). Multiplicando pelo número de habitantes, o gasto total de energia é de 1,23 trilhões. Os 16,3 bilhões de subsídios dados aos combustíveis fósseis (o tipo de combustível realmente barato presente no gráfico) representam apenas 1,3% do gasto total.

- Portanto, o gráfico desmente o título "É por isso que é barato..."

Sou totalmente contra subsidiar qualquer coisa, pois distorce o preço dos produtos. Mas entre dizer que a energia é mais barata por que dão um subsídio de 1,3% e cobrar 41% de imposto sobre a energia elétrica (considerando apenas a conta para o consumidor) ou mais de 100% sobre a gasolina, prefiro a primeira.


Está aí, a frase correta seria "É por isso que é mais caro..."

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dilma e o aborto

 A camarada Dilma agora diz que é contra o aborto. José Eduardo Dutra, presidente do PT e coordenador nacional da campanha afirma "Ela é pessoalmente contra o aborto e não vai propor nenhuma modificação na legislação relativa a isso". Será mesmo que ela virou a casaca? Vejamos:



 O repórter da Folha de S. Paulo primeiro pergunta se Dilma é socialista, pergunta tão relevante quanto questionar se o Papa é católico. Depois ele a pergunta sobre o aborto e ela responde: "olha, eu acho que tem de haver a descriminalização do aborto". Descriminalizar significa deixar de considerar crime. Ela até pode ser contra uma mulher a fazer aborto, mas se ela propõe a descriminalizá-lo, significa que ela é contra uma pessoa ficar gorda por comer demais, mas não há crime em comer demais.
  Se você acha que a declaração da "ex-"terrorista (existe ex-assassino?) foi um lapso, sugiro que acessem o Programa Nacional de Direitos Humanos 3. Essa excrescência totalitarista aprovada ainda quando ela era chefe da Casa Civil recomenda na página 92: "Recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto".
 A camarada já ganhou e não precisa mais virar a casaca para ganhar mais uns votinhos do Zé Serra, o banana hipocondríaco. Mas como boa revolucionária, é preciso fazer como o camarada Lênin "Devemos recorrer a todo tipo de estratagemas, manobras, métodos ilegais, disfarces e subterfúgios".

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Que raio de democracia?

  Uma vez estava conversando com meu amigo do Techbits e ele me indagou: "que raio de democracia é esta nos EUA?". O episódio famoso foi o das eleições presidenciais de 2000, em que a suprema corte americana manteve a decisão da suprema corte do estado da Flórida, afirmando que cada estado é soberano nas suas decisões eleitorais. George Bush levou a presidência, derrotando o salvador-do-planeta, Al Gore. O fato, raríssimo, é que Bush levou menos votos da população geral, mas conseguiu eleger mais representantes de cada estado, por isso a tentativa dos democratas de tentar invalidar, contar e recontar os votos em vários distritos da Flórida. Nos EUA, cada estado tem um número fixo de representantes, que é mais ou menos proporcional ao número de habitantes de cada estado. Quando a maioria dos eleitores em cada estado vota num candidato, este estado elege os representantes que votarão naquele candidato presidencial. Parece estranho no país do voto obrigatório, mas parece que tem funcionado razoavelmente bem há mais de 200 anos.
  Agora, eu é que pergunto: que raio de democracia é esta das eleições gerais de 2010? O Sr. Lula da Silva se orgulha de que agora só tem partido de esquerda, e ele tem razão. Declarou até que "precisamos extirpar o DEM da política brasileira". A direita chinfrim do DEM só quer cargos, tanto é que mudou o nome de Partido da Frente Liberal para Democratas, sem se dar conta de que o seu homônimo norte-americano é a própria esquerda americana. Vamos ao nome dos partidos: dos 27 partidos cadastrados no TSE, 8 contém as palavras social ou socialista, 8 as palavras trabalhista ou trabalhadores e 2 a palavra comunista. Mas para aqueles que não vêm nada de estranho no oxímoro Socialismo e Liberdade (PSOL), há também o trotskista Partido da Causa Operária. Outro dia estava assistindo um programa na Record denunciando uma meia dúzia de neo-nazistas que queriam fundar um país chamado Neuland, no qual tomaria o estados do sul brasileiro. Os investigadores estavam  muito preocupados em processar este bando por incitarem a ideologia nazista. Porém no Brasil as ideologias socialistas e comunistas, responsáveis um número de mortos infinitamente maior do que a nazista, vão muito bem, obrigado.
 A democracia está muito além da possibilidade de se poder escolher um candidato através do voto. É preciso embate de idéias, e neste quesito o Brasil já vive uma ditadura. A oposição do PSDB não é oposição de maneira alguma: o que o PT é continuou e aprofundou, veio praticamente pronto do PSDB. Cada um quer parecer mais à esquerda do que o outro: toma bolsa família, bolsa escola, distribuição da riqueza  através do estado, destruição da propriedade privada através da reforma agrária,  lei da palmada, plano nacional de direitos humanos, enfim é a destruição da liberdade individual em nome do bem comum, ditado por um burocrata. Não há um só candidato que proponha a diminuição do estado e do fim do repasse de dinheiro dos contribuintes para os 'movimentos sociais'. Não há um único candidato que pregue diminuição do número funcionários públicos, o meio mais eficaz de prevenir a corrupção. Não há direita, não há respeito a propriedade, ao indivíduo, ao dinheiro suado de cada brasileiro, só há festa da redistribuição monopolizada pelo estado. É o fim da liberdade.
 Que raio de democracia é esta?

A internet que voa

    Aqui nos EUA cerca de 36% dos fazendeiros não têm acesso a internet. O problema é sempre o mesmo: falta de infra-estrutura. Cabos de cobre são caros, sendo que  a solução normalmente é o uso de antenas de celular. Jerry Knoblach, dono da Space Data Corp. , apostou numa solução inovadora, que consiste em lançar balões com dispositivos que permitiriam o acesso a rede. Sua companhia lança 10 balões por dia, que são usados atualmente por caminhoneiros e companhias de petróleo. A idéia chamou a atenção da Google Inc., que de acordo com The Wall Street Journal, está considerando a compra da Space Data Corp. e investindo em serviços de acesso sem-fio. Os balões são semelhantes aos empregados no previsão do tempo, mas ao invés de usarem hélio, são inflados com hidrogênio. Apesar de ser altamente inflamável, o hidrogênio é muito mais barato que o hélio, por este último ser raríssimo na natureza.
    Interessante é notar que a vida útil de cada balão é de cerca de 24 horas, porque estouram ao atingir cerca de 30 quilómetros de altitude. Por isso, o equipamento, que custa 1.500 dólares, tem de ser recuperado com a ajuda de um pequeno pára-queda. A tarefa de recuperação fica para pessoas munidas de GPS e dispostas a enfrentar lugares de difícil acesso para ganharem 100 dólares por aparelho. O lançamento dos balões é um pouco mais fácil e é feita por fazendeiros no sul dos EUA, que ganham 50 dólares por balão.
    Ambientalistas temem que os pedaços de látex que caem depois que os balões estouram possam prejudicar animais. Segundo eles, os animais poderiam ingerir o material e morrer. Porém, como ambientalistas se assemelham a melancias (verdes por fora como uma árvore, mas por dentro, tão vermelhos quanto bandeiras de países comunistas), eles também se opõem à instalação de antenas celulares por matarem pássaros que eventualmente se espatifam nelas. Na verdade o látex é tão biodegradável quanto um galho de árvore apodrecendo.
    A solução para transmissão de dados criada pelo sr. Jerry Knoblach é formidável e poderia resolver problemas de acesso em áreas remotas. A comunicação é feita numa altitude superior às antenas celulares, mas muito inferior a dos satélites geoestacionários. Os custos de lançamento e manutenção dos satélites de telecomunicações são elevados, pois orbitam a 36 mil quilómetros de altitude. Por enquanto, o serviço está disponível apenas no sul dos EUA.  No Brasil, o serviço poderia ser muito útil, considerando que em muitos lugares do país, a antena de celular mais próxima está a centenas de quilômetros de distância. No entanto, além dos entraves burocráticos do Ministério das Telecomunicações e do poderoso Ministério do Meio Ambiente, problemas técnicos como o da recaptura dos dispositivos em áreas de remotas poderiam dificultar o trabalho da empresa que se dispuser a investir no negócio.

P.S. Este artigo foi enviado ao meu amigo do Techbits, mas nunca foi publicado.