segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Reivindicando Dinossauros




 A Sociedade Brasileira de Paleontologia evidencia mais uma vez que, neste país, o título de doutor, a carteirada e a aceitação grupal são sinônimos de superioridade intelectual. O manifesto de quatro páginas intitulado "Manifesto da Sociedade Brasileira de Paleontologia sobre a validade da Evolução Biológica e seu ensino nas escolas do país" reivindica que jamais seja ensinado a teoria da temível pseudociência do 'Design Inteligente' aos nossos jovens.   

 Pelo que eu sei, nenhum paleontologista pode me responder se os dinossauros eram homeotérmicos ou qual era a cor de suas peles, quanto mais doutrinar outros seres humanos a comprar suas idéias (segundo o texto, os criacionistas 'vendem' idéias equivocadas). Como não podem recriar um laboratório do tamanho do planeta e esperar por 4 bilhões de anos, pretendem calar qualquer voz que, por ventura, venha a questionar o dogma de que os seres evoluíram através de sucessivas e praticamente infinitas pequenas modificações.  Para isso, apelam para que confiemos neles, "mesmo que a origem de alguns grupos biológicos ainda não seja completamente conhecida, a falta de informação sobre esses registros não implica em questionamento do processo evolutivo". Ou seja, para eles, ciência é exatamente isso: a falta de dados é prova e o questionamento, proibido. 

 O argumento de que somos apenas escravos dos nossos genes e de que os seres vivos são produtos obtidos a partir de combinações aleatórias levanta algumas pequenas questões. Por exemplo, seria possível treinar mil chimpanzés a bater aleatoriamente nas teclas de um computador e esperar que algum dia eles produzam algum texto com sentido, ou um Machado de Assis?

 Como os autores do manifesto têm um pavor irracional em admitir que possa haver um Criador, reivindicam dinossauros.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Vendedor de quadrinhos, ou o neurocientista de ficção científica



 O  Comic Book Guy sem alma (autodeclaração dele) - do vídeo Olavo de Carvalho O cientista de boteco pretende desmascarar não só Olavo de Carvalho, mas um livro inteiro recomendado por ele. Eu, irrelevante doutor, comentei no seu canalzinho do Youtube:

Quer dizer então que, se os padrões das sinapses forem os mesmos, isso explicaria que não há mudança na personalidade ou na consciência e a 'essência' continua a mesma? Então está errado o que aprendi no ICB da USP... Não é possível prever o comportamento ou a personalidade de um ser conhecendo-se TODAS as conexões neurais. Do mesmo modo que não se pode antever a reação de uma cultura celular num dado meio medindo-se as quantidades de todos os componentes celulares. Dããã, Princípio da Incerteza de Heisenberg??? Pára de vender quadrinhos e vai estudar, neurocientista de ficção científica.







terça-feira, 24 de novembro de 2015

Ignorância não está no DNA

Em seu recente texto, Homossexualidade, DNA e a ignorância, o sr. Dráuzio Varella, estrela da medicina e fundador da UNIP e do Colégio Objetivo, afirma: 

"Os que assumem o papel de guardiões da família e da palavra de Deus para negar às mulheres e homens homossexuais os direitos mais elementares, não são apenas sádicos, preconceituosos e ditatoriais, são ignorantes."

Meu comentário (postado no Facebook, que obviamente foi deletado na primeira vez):

"Não sei porque ainda tem gente que dá ouvidos ao sr. Varella. Estrela da mídia, doutor sem doutorado, ateu intolerante e anti-cristão preconceituoso, só seria digno de ser ouvido após muita cachaça num boteco risca faca. Quem quer que denigra uma religião, elevando-a ao nível do amor pelo sexo anal ou do desejo de fazer felação, deve ser extirpado da vida pública. Ser macaco de palco em cursinho no Objetivo seria o máximo de público que se poderia concedê-lo."

Esse senhor, mais uma vez, usurpa da fama midiática como 'doutor' para falar do que não entende. Veja em "Doutores".

Certamente, não se pode confundir gay com gayzismo, moviemento ideológico que usa homossexuais como massa de manobra. Ademais, antes que a guerrilha do politicamente correto venha querer me atacar com preconceitos preconceituosos, dê uma olhada neste depoimento de um travesti. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Desarmando a lógica

A seguir está meu comentário sobre o artigo do sr. Carlos Orsi da revista Galileu intitulado "A ciência por trás do debate sobre o desarmamento civil" que foi referenciado no Blog Cético.

Réplica de um Colt Paterson, primeiro revólver produzido em escala comercial, de 1836. (Foto: wikimedia commons)


A profundidade argumentativa do sr. Carlos Orsi tem a mesma dimensão de uma novela da TV Globo, onde o paraplégico Tony Ramos é vitimado por uma arma, como se o objeto inanimado tivesse o poder de ter puxado o próprio gatilho. Quem quiser obter melhores estatísticas sobre o assunto, consulte o livro que li há cerca de 10 anos atrás: "The Bias Against Guns", escrito por John Lott Jr.

Estatísticas a parte, a conseqüência lógica do desarmamento civil é que o bandido armado vai conseguir seu instrumento de trabalho de qualquer maneira. No entanto, o cidadão de bem fica impedido da possibilidade de defender-se, pois, por definição, o primeiro comete uma ilegalidade, mas o segundo não. Suponhamos que um integrante do PCC tivesse conhecido uma cidadezinha no interior do Mississippi ou do Kentucky e lhe fosse perguntado: "Onde você preferiria cometer um assalto a mão armada: numa mansão no Morumbi ou numa casa bacana de um caipira 'ignorante e retrógrado' do interior daqueles estados?" A probabilidade de ser surpreendido com um contra-ataque tão ou mais feroz no primeiro caso é infinitamente menor do que no segundo. O crime é um negócio como qualquer outro; é preciso contrapor riscos e benefícios.

Ademais, em 2012, praticamente no mesmo dia em que o desequilibrado Adam Lanza executou a tiros 20 crianças e 6 adultos na escola americana Sandy Hook, Min Yongjun esfaqueou 23 crianças e uma mulher idosa na província chinesa de Henan. Pergunto: depois de proibir a compra de revólveres, deveríamos também proibir peixeiras, tacos de beisebol ou gasolina e fósforos? Aliás, amantes da paz, como Mao e Stalin, sempre foram veementemente a favor do desarmamento da população. É muito mais fácil atacar e dominar quem basicamente não tem como se defender.