quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Que raio de democracia?

  Uma vez estava conversando com meu amigo do Techbits e ele me indagou: "que raio de democracia é esta nos EUA?". O episódio famoso foi o das eleições presidenciais de 2000, em que a suprema corte americana manteve a decisão da suprema corte do estado da Flórida, afirmando que cada estado é soberano nas suas decisões eleitorais. George Bush levou a presidência, derrotando o salvador-do-planeta, Al Gore. O fato, raríssimo, é que Bush levou menos votos da população geral, mas conseguiu eleger mais representantes de cada estado, por isso a tentativa dos democratas de tentar invalidar, contar e recontar os votos em vários distritos da Flórida. Nos EUA, cada estado tem um número fixo de representantes, que é mais ou menos proporcional ao número de habitantes de cada estado. Quando a maioria dos eleitores em cada estado vota num candidato, este estado elege os representantes que votarão naquele candidato presidencial. Parece estranho no país do voto obrigatório, mas parece que tem funcionado razoavelmente bem há mais de 200 anos.
  Agora, eu é que pergunto: que raio de democracia é esta das eleições gerais de 2010? O Sr. Lula da Silva se orgulha de que agora só tem partido de esquerda, e ele tem razão. Declarou até que "precisamos extirpar o DEM da política brasileira". A direita chinfrim do DEM só quer cargos, tanto é que mudou o nome de Partido da Frente Liberal para Democratas, sem se dar conta de que o seu homônimo norte-americano é a própria esquerda americana. Vamos ao nome dos partidos: dos 27 partidos cadastrados no TSE, 8 contém as palavras social ou socialista, 8 as palavras trabalhista ou trabalhadores e 2 a palavra comunista. Mas para aqueles que não vêm nada de estranho no oxímoro Socialismo e Liberdade (PSOL), há também o trotskista Partido da Causa Operária. Outro dia estava assistindo um programa na Record denunciando uma meia dúzia de neo-nazistas que queriam fundar um país chamado Neuland, no qual tomaria o estados do sul brasileiro. Os investigadores estavam  muito preocupados em processar este bando por incitarem a ideologia nazista. Porém no Brasil as ideologias socialistas e comunistas, responsáveis um número de mortos infinitamente maior do que a nazista, vão muito bem, obrigado.
 A democracia está muito além da possibilidade de se poder escolher um candidato através do voto. É preciso embate de idéias, e neste quesito o Brasil já vive uma ditadura. A oposição do PSDB não é oposição de maneira alguma: o que o PT é continuou e aprofundou, veio praticamente pronto do PSDB. Cada um quer parecer mais à esquerda do que o outro: toma bolsa família, bolsa escola, distribuição da riqueza  através do estado, destruição da propriedade privada através da reforma agrária,  lei da palmada, plano nacional de direitos humanos, enfim é a destruição da liberdade individual em nome do bem comum, ditado por um burocrata. Não há um só candidato que proponha a diminuição do estado e do fim do repasse de dinheiro dos contribuintes para os 'movimentos sociais'. Não há um único candidato que pregue diminuição do número funcionários públicos, o meio mais eficaz de prevenir a corrupção. Não há direita, não há respeito a propriedade, ao indivíduo, ao dinheiro suado de cada brasileiro, só há festa da redistribuição monopolizada pelo estado. É o fim da liberdade.
 Que raio de democracia é esta?

A internet que voa

    Aqui nos EUA cerca de 36% dos fazendeiros não têm acesso a internet. O problema é sempre o mesmo: falta de infra-estrutura. Cabos de cobre são caros, sendo que  a solução normalmente é o uso de antenas de celular. Jerry Knoblach, dono da Space Data Corp. , apostou numa solução inovadora, que consiste em lançar balões com dispositivos que permitiriam o acesso a rede. Sua companhia lança 10 balões por dia, que são usados atualmente por caminhoneiros e companhias de petróleo. A idéia chamou a atenção da Google Inc., que de acordo com The Wall Street Journal, está considerando a compra da Space Data Corp. e investindo em serviços de acesso sem-fio. Os balões são semelhantes aos empregados no previsão do tempo, mas ao invés de usarem hélio, são inflados com hidrogênio. Apesar de ser altamente inflamável, o hidrogênio é muito mais barato que o hélio, por este último ser raríssimo na natureza.
    Interessante é notar que a vida útil de cada balão é de cerca de 24 horas, porque estouram ao atingir cerca de 30 quilómetros de altitude. Por isso, o equipamento, que custa 1.500 dólares, tem de ser recuperado com a ajuda de um pequeno pára-queda. A tarefa de recuperação fica para pessoas munidas de GPS e dispostas a enfrentar lugares de difícil acesso para ganharem 100 dólares por aparelho. O lançamento dos balões é um pouco mais fácil e é feita por fazendeiros no sul dos EUA, que ganham 50 dólares por balão.
    Ambientalistas temem que os pedaços de látex que caem depois que os balões estouram possam prejudicar animais. Segundo eles, os animais poderiam ingerir o material e morrer. Porém, como ambientalistas se assemelham a melancias (verdes por fora como uma árvore, mas por dentro, tão vermelhos quanto bandeiras de países comunistas), eles também se opõem à instalação de antenas celulares por matarem pássaros que eventualmente se espatifam nelas. Na verdade o látex é tão biodegradável quanto um galho de árvore apodrecendo.
    A solução para transmissão de dados criada pelo sr. Jerry Knoblach é formidável e poderia resolver problemas de acesso em áreas remotas. A comunicação é feita numa altitude superior às antenas celulares, mas muito inferior a dos satélites geoestacionários. Os custos de lançamento e manutenção dos satélites de telecomunicações são elevados, pois orbitam a 36 mil quilómetros de altitude. Por enquanto, o serviço está disponível apenas no sul dos EUA.  No Brasil, o serviço poderia ser muito útil, considerando que em muitos lugares do país, a antena de celular mais próxima está a centenas de quilômetros de distância. No entanto, além dos entraves burocráticos do Ministério das Telecomunicações e do poderoso Ministério do Meio Ambiente, problemas técnicos como o da recaptura dos dispositivos em áreas de remotas poderiam dificultar o trabalho da empresa que se dispuser a investir no negócio.

P.S. Este artigo foi enviado ao meu amigo do Techbits, mas nunca foi publicado.